A
boa leitura e a escrita dependem de bons olhos, bons ouvidos, bom cérebro e boa
cultura. Marta Relvas
A psicopedagogia busca então, compreender o ser em suas dificuldades e
limitações, proporcionando uma série de exercícios e atividades que
possibilitem aos indivíduos se desenvolver em todas as suas potencialidades.
Para Bossa (2008) a psicopedagogia está envolta por um diagnóstico e uma
metodologia de intervenção que busca olhar o indivíduo em sua relação com o
objeto de conhecimento e sua aprendizagem, e considera o sujeito e o objeto
indissociáveis pois compreende o sujeito em seu contexto sociohistórico,
acreditando em um conhecimento transdisciplinar, mesmo sendo construído em um
ambiente interdisciplinar.
Ao me deparar com a “avaliação do
caderno”, me perguntei sobre quais informações deveriam ser extraídas do caderno
escolar de uma criança? Após pesquisar e refletir, percebi a importância
do olhar atento ao material escolar, do começo ao fim, folheando folha a folha
para que se tenha uma análise completa, antes de se realizar o relatório de
avaliação.
É
fundamental ao analisar o caderno, que seja identificado segundo Relvas (2015,
p. 71 e 72), onde nos fala sobre as noções gerais de alguns distúrbios ligados
à linguagem:
·
Leitura:
ü Alexia:
impossibilidade absoluta de ler;
ü Dislexia:
domínio insuficiente da leitura, podendo estar relacionada aos problemas de
lateralidade, à organização espacial, à temporal, ao atraso de linguagem, aos
problemas de ordem afetiva e aos antecedentes hereditários. Acompanha também
problemas de escrita/ gramática.
·
Escrita
ü Agrafia:
impossibilidade de comunicar algo por escrito, independentemente do nível
mental e dos antecedentes escolares;
ü Disgrafia:
é a dificuldade de escrita. Isto ocorre no estabelecimento da relação entre o
sistema simbólico e as grafias que o representam, como aglomeração de letras,
omissão de letras, inversão de silabas, letras e números;
ü Disortografia:
dificuldades ortográficas;
ü Discaligrafia:
não há reprodução adequada da letra manuscrita ou impressa, ou de imagem que se
tenha de representar;
ü Dissintaxe:
é a linguagem escrita que se traduz em uma desorganização das regras sintáticas
e morfológicas do idioma ao qual pertence o indivíduo, podendo ser fatores de
causa emocional/orgânica;
ü Escrita
em espelho: é uma forma especial da escrita na qual ela se realiza na dimensão
lateral inversa.
·
Aritmética:
ü Acalculia:
é a perda total da capacidade de operar matematicamente;
ü Discalculia:
é a dificuldade parcial d e operar matematicamente. Podendo ser;
a) Mental:
quando a dificuldade é pensar matemática, aritmética e geometricamente;
b) Gráfica:
é a dificuldade para se manejar os instrumentos com uma coordenação visual e
motora apropriada para traduzir o código pensando em um sistema de sinais e
desenhos, em um espaço determinado.
O processo de ensino-aprendizagem é
contínuo, está sempre em transformação e o educador/psicopedagogo faz a
mediação para o desenvolvimento integral dos indivíduos, por meio dialético e
metodológicos levando os sujeitos a refletir sobre as suas aprendizagens. Para
Bossa (2000),
O conceito de
aprendizagem com o qual trabalha a Psicopedagogia remete a uma visão de homem
como sujeito ativo num processo de interação com o meio físico e social. Nesse
processo interferem o seu equipamento biológico, as suas condições
afetivo-emocionais e as suas condições intelectuais. A Psicopedagogia entende,
ainda, que essas condições afetivo-emocionais e intelectuais são geradas no
meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. O produto de tal
interação é a aprendizagem.
Desse modo,
podemos dizer que a formação em Psicopedagogia deve permitir ao profissional
reconhecer a aprendizagem nessa dupla vertente, qual seja, sujeito/meio, e,
especialmente, compreender como ocorre essa interação. (p.75)
Conclui-se nessa pesquisa, que a psicopedagogia é um fator importante
para o diagnóstico, prevenção e auxilio no tratamento seja a dificuldade de
aprendizagem patológica ou não, a psicopedagogia faz investigações e indagações
sobre os elementos que bloqueiam a aprendizagem do sujeito, analisando cada
indivíduo em suas particularidades, entendendo que cada ser é único e tem o seu
tempo de aprendizagem. Traçando a partir dessas investigações um meio de
proporcionar ao indivíduo um desenvolvimento cognitivo.
REFERÊNCIA
BOSSA, Nadia
A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática / 2.ed.
– Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
FERREIRO,
Emília e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Artmed Editora. Porto
Alegre. 1999.
RELVAS, Marta Pires. Neurociência e transtornos de
aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 6 ed. – Rio
de Janeiro: editora Wak, 2015.

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