sábado, 5 de janeiro de 2019

Psicopedagogia e a avaliação do caderno escolar.






A boa leitura e a escrita dependem de bons olhos, bons ouvidos, bom cérebro e boa cultura. Marta Relvas


A psicopedagogia busca então, compreender o ser em suas dificuldades e limitações, proporcionando uma série de exercícios e atividades que possibilitem aos indivíduos se desenvolver em todas as suas potencialidades. Para Bossa (2008) a psicopedagogia está envolta por um diagnóstico e uma metodologia de intervenção que busca olhar o indivíduo em sua relação com o objeto de conhecimento e sua aprendizagem, e considera o sujeito e o objeto indissociáveis pois compreende o sujeito em seu contexto sociohistórico, acreditando em um conhecimento transdisciplinar, mesmo sendo construído em um ambiente interdisciplinar.
Ao me deparar com a “avaliação do caderno”, me perguntei sobre quais informações deveriam ser extraídas do caderno escolar de uma criança? Após pesquisar e refletir, percebi a importância do olhar atento ao material escolar, do começo ao fim, folheando folha a folha para que se tenha uma análise completa, antes de se realizar o relatório de avaliação.
É fundamental ao analisar o caderno, que seja identificado segundo Relvas (2015, p. 71 e 72), onde nos fala sobre as noções gerais de alguns distúrbios ligados à linguagem:

·         Leitura:
ü  Alexia: impossibilidade absoluta de ler;
ü  Dislexia: domínio insuficiente da leitura, podendo estar relacionada aos problemas de lateralidade, à organização espacial, à temporal, ao atraso de linguagem, aos problemas de ordem afetiva e aos antecedentes hereditários. Acompanha também problemas de escrita/ gramática.
·         Escrita
ü  Agrafia: impossibilidade de comunicar algo por escrito, independentemente do nível mental e dos antecedentes escolares;
ü  Disgrafia: é a dificuldade de escrita. Isto ocorre no estabelecimento da relação entre o sistema simbólico e as grafias que o representam, como aglomeração de letras, omissão de letras, inversão de silabas, letras e números;
ü  Disortografia: dificuldades ortográficas;
ü  Discaligrafia: não há reprodução adequada da letra manuscrita ou impressa, ou de imagem que se tenha de representar;
ü  Dissintaxe: é a linguagem escrita que se traduz em uma desorganização das regras sintáticas e morfológicas do idioma ao qual pertence o indivíduo, podendo ser fatores de causa emocional/orgânica;
ü  Escrita em espelho: é uma forma especial da escrita na qual ela se realiza na dimensão lateral inversa.
·         Aritmética:
ü  Acalculia: é a perda total da capacidade de operar matematicamente;
ü  Discalculia: é a dificuldade parcial d e operar matematicamente. Podendo ser;
a)       Mental: quando a dificuldade é pensar matemática, aritmética e geometricamente;
b)       Gráfica: é a dificuldade para se manejar os instrumentos com uma coordenação visual e motora apropriada para traduzir o código pensando em um sistema de sinais e desenhos, em um espaço determinado.

O processo de ensino-aprendizagem é contínuo, está sempre em transformação e o educador/psicopedagogo faz a mediação para o desenvolvimento integral dos indivíduos, por meio dialético e metodológicos levando os sujeitos a refletir sobre as suas aprendizagens. Para Bossa (2000),

O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a Psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo num processo de interação com o meio físico e social. Nesse processo interferem o seu equipamento biológico, as suas condições afetivo-emocionais e as suas condições intelectuais. A Psicopedagogia entende, ainda, que essas condições afetivo-emocionais e intelectuais são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. O produto de tal interação é a aprendizagem.
Desse modo, podemos dizer que a formação em Psicopedagogia deve permitir ao profissional reconhecer a aprendizagem nessa dupla vertente, qual seja, sujeito/meio, e, especialmente, compreender como ocorre essa interação. (p.75)

Conclui-se nessa pesquisa, que a psicopedagogia é um fator importante para o diagnóstico, prevenção e auxilio no tratamento seja a dificuldade de aprendizagem patológica ou não, a psicopedagogia faz investigações e indagações sobre os elementos que bloqueiam a aprendizagem do sujeito, analisando cada indivíduo em suas particularidades, entendendo que cada ser é único e tem o seu tempo de aprendizagem. Traçando a partir dessas investigações um meio de proporcionar ao indivíduo um desenvolvimento cognitivo.

REFERÊNCIA
BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática / 2.ed. – Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
FERREIRO, Emília e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Artmed Editora. Porto Alegre. 1999.
RELVAS, Marta Pires. Neurociência e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 6 ed. – Rio de Janeiro: editora Wak, 2015.

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