É
na “Hora do jogo”, que obtemos as informações de como a criança brinca,
interage, organiza e integra os seus conhecimentos a nível representativo.
Segundo Weiss (2012, p. 75),
Todo profissional que trabalha com crianças sente que
é indispensável haver um espaço e tempo para a criança brincar e assim melhor
se comunicar, se revelar. [...] a técnica do jogo em psicanálise foi elaborada
por Melanie Klein, Anna Freud, Margaret Lowenfeld e outros, que aprofundaram o
simbolismo inconsciente do jogo. Por um lado, Jean Piaget, em pesquisas sobre a
construção do pensamento e da sociabilidade, mostra a elaboração dojogo nas
diferentes idades, o que nos permite ter alguns parâmetros para a observação do
jogo infantil. A visão de Winnicott, contudo, possibilita uma compreensão mais
integradora do brincar da aprendizagem.
Segundo
Winnicott (apud WEISS 2012, P. 75) “ É no brincar, e somente no brincar, que o
indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade
integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu [self]. ” Ao brincar a criança
experimenta, explora todo o potencial dos brinquedos “objetos” que estão ao seu
alcance.
A
hora do jogo possibilita um diagnóstico da organização interior e exterior da
criança, segundo Weiss (2012, p. 75), “No diagnóstico, o uso de situações
lúdicas é uma possibilidade de se compreender, basicamente, o funcionamento dos
processos cognitivos e afetivosociais em suas interferências. ” A autora
continua...
Ao abrir um espaço de brincar durante o diagnóstico,
já se está possibilitando um movimento na direção da saúde, da cura, pois
brincar é “universal e saudável”. Rompe-se
assim a fronteira entre o diagnóstico e o tratamento, já que o próprio
diagnóstico passa a ter um caráter terapêutico, o que encontra apoio nas
palavras de Winnicott “A psicoterapia se efetua na sobreposição de duas áreas
do brincar, a do paciente e a do terapeuta. A psicoterapia trata de duas
pessoas que brincam juntas. ” (2012, p. 77)
Segundo
Paín. (1985), a atividade da “Hora do jogo” se divide em três momento:
a) Primeiro,
um inventário,
no qual a criança trata de classificar, de alguma maneira, o conteúdo da caixa.
Seja por meio de mera manipulação dos objetos, seja experimentando seu funcionamento,
seja notando sua presença através do olhar, o sujeito procurará fazer uma
composição de lugar avaliando os elementos de que dispõe de modo que estes
venham sugerir-lhe possibilidades de ação.
b) Um
Segundo momento é delicado à postulação de um jogo, construído em torno de um
esboço de sequência que é um desenvolvimento coerente da hipótese escolhida. O
material deixa de ser utilizado ou manipulado em si e começa a formar parte de
uma organização
simbólica que é realizada por sucessivos ensaios por meio dos quais a
criança dirige a ação, escolhe o destino e o papel dos personagens, corrige o
argumento, combina e mantém adequados os materiais na busca de um fim antecipado,
aceitando e também descartando significantes e episódios.
c) Em
um terceiro e último momento, é realizada a aprendizagem propriamente dita,
isto é, a integração da experiência atual entra no sujeito como
conhecimento. Tal integração é realizada, simultaneamente, de duas maneiras,
uma por resumo ou esquematização do jogo, naquilo que ele tem de mais coerente
e equilibrado, e outra pela vinculação deste esquema com os anteriores através
de uma assimilação coordenadora. (p. 52 a 53)
É
importante explicar para a criança como iria funcionar o jogo, e que poderiam
construir e brincar com tudo que tinha dentro da caixa. Segundo Paín (1985, p.
51), “o material utilizado para essa técnica diagnóstica, quando se trata de diagnosticar
o problema de aprendizagem, é predominantemente não-figurativo, pois interessa
prestar atenção ao processo de construção do simbólico, mais do que às
projeções efetuada sobre um objeto já determinado pelo seu conteúdo. ”
Materiais
para utilizar na Hora do Jogo:
·
Caixa retangular de papelão neutro;
·
Madeiras: pedaços com formas e sem formas;
·
Cartões duros de papelão;
·
Fichas de papelão com formatos;
·
Papéis coloridos;
·
Pedaços de folhas de cartolina;
·
5 folhas de oficio;
·
Canetas hidrocor soltas;
·
Caixinha de clips solta;
·
Tesoura de ponta redonda;
·
Percevejos dentro de um saco plástico;
·
Cola;
·
2 pincéis (fino e grosso);
·
Palitos de picolé;
·
3 cores de têmpera coloridos;
·
Retalhos de pano colorido;
·
Massa de modelar;
·
Cordões;
·
Carretéis vazios;
·
Tubos de papel higiênico;
·
3 miniaturas de bichos;
·
3
miniaturas de bonecas.
Segundo
Paín (1985, p. 52), “a hora do jogo pode ser realizada até os 9 anos inclusive,
pois, a partir dos 10 anos, as crianças preferem jogos de regras e
oferecer-lhes uma atividade superada costuma torna-las confusas e
envergonhadas. ”
REFERÊNCIAL
PAÍN, Sara. Diagnóstico e
tratamento dos problemas de aprendizagem / Tradução Ana Maria Netto Machado. –
Porto Alegre : Artmed, reimpressão 2008 / 1985.
WEISS,
Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas
de aprendizagem escolar. 14º ed. ver. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.

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