quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Hora do Jogo.








É na “Hora do jogo”, que obtemos as informações de como a criança brinca, interage, organiza e integra os seus conhecimentos a nível representativo. Segundo Weiss (2012, p. 75),

Todo profissional que trabalha com crianças sente que é indispensável haver um espaço e tempo para a criança brincar e assim melhor se comunicar, se revelar. [...] a técnica do jogo em psicanálise foi elaborada por Melanie Klein, Anna Freud, Margaret Lowenfeld e outros, que aprofundaram o simbolismo inconsciente do jogo. Por um lado, Jean Piaget, em pesquisas sobre a construção do pensamento e da sociabilidade, mostra a elaboração dojogo nas diferentes idades, o que nos permite ter alguns parâmetros para a observação do jogo infantil. A visão de Winnicott, contudo, possibilita uma compreensão mais integradora do brincar da aprendizagem.

Segundo Winnicott (apud WEISS 2012, P. 75) “ É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu [self]. ” Ao brincar a criança experimenta, explora todo o potencial dos brinquedos “objetos” que estão ao seu alcance.
A hora do jogo possibilita um diagnóstico da organização interior e exterior da criança, segundo Weiss (2012, p. 75), “No diagnóstico, o uso de situações lúdicas é uma possibilidade de se compreender, basicamente, o funcionamento dos processos cognitivos e afetivosociais em suas interferências. ” A autora continua...

Ao abrir um espaço de brincar durante o diagnóstico, já se está possibilitando um movimento na direção da saúde, da cura, pois brincar é “universal e saudável”. Rompe-se assim a fronteira entre o diagnóstico e o tratamento, já que o próprio diagnóstico passa a ter um caráter terapêutico, o que encontra apoio nas palavras de Winnicott “A psicoterapia se efetua na sobreposição de duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta. A psicoterapia trata de duas pessoas que brincam juntas. ” (2012, p. 77)

Segundo Paín. (1985), a atividade da “Hora do jogo” se divide em três momento:

a)       Primeiro, um inventário, no qual a criança trata de classificar, de alguma maneira, o conteúdo da caixa. Seja por meio de mera manipulação dos objetos, seja experimentando seu funcionamento, seja notando sua presença através do olhar, o sujeito procurará fazer uma composição de lugar avaliando os elementos de que dispõe de modo que estes venham sugerir-lhe possibilidades de ação.
b)       Um Segundo momento é delicado à postulação de um jogo, construído em torno de um esboço de sequência que é um desenvolvimento coerente da hipótese escolhida. O material deixa de ser utilizado ou manipulado em si e começa a formar parte de uma organização simbólica que é realizada por sucessivos ensaios por meio dos quais a criança dirige a ação, escolhe o destino e o papel dos personagens, corrige o argumento, combina e mantém adequados os materiais na busca de um fim antecipado, aceitando e também descartando significantes e episódios.
c)       Em um terceiro e último momento, é realizada a aprendizagem propriamente dita, isto é, a integração da experiência atual entra no sujeito como conhecimento. Tal integração é realizada, simultaneamente, de duas maneiras, uma por resumo ou esquematização do jogo, naquilo que ele tem de mais coerente e equilibrado, e outra pela vinculação deste esquema com os anteriores através de uma assimilação coordenadora. (p. 52 a 53)

É importante explicar para a criança como iria funcionar o jogo, e que poderiam construir e brincar com tudo que tinha dentro da caixa. Segundo Paín (1985, p. 51), “o material utilizado para essa técnica diagnóstica, quando se trata de diagnosticar o problema de aprendizagem, é predominantemente não-figurativo, pois interessa prestar atenção ao processo de construção do simbólico, mais do que às projeções efetuada sobre um objeto já determinado pelo seu conteúdo. ”

Materiais para utilizar na Hora do Jogo:

·         Caixa retangular de papelão neutro;
·         Madeiras: pedaços com formas e sem formas;
·         Cartões duros de papelão;
·         Fichas de papelão com formatos;
·         Papéis coloridos;
·         Pedaços de folhas de cartolina;
·         5 folhas de oficio;
·         Canetas hidrocor soltas;
·         Caixinha de clips solta;
·         Tesoura de ponta redonda;
·         Percevejos dentro de um saco plástico;
·         Cola;
·         2 pincéis (fino e grosso);
·         Palitos de picolé;
·         3 cores de têmpera coloridos;
·         Retalhos de pano colorido;
·         Massa de modelar;
·         Cordões;
·         Carretéis vazios;
·         Tubos de papel higiênico;
·         3 miniaturas de bichos;
·          3 miniaturas de bonecas.

Segundo Paín (1985, p. 52), “a hora do jogo pode ser realizada até os 9 anos inclusive, pois, a partir dos 10 anos, as crianças preferem jogos de regras e oferecer-lhes uma atividade superada costuma torna-las confusas e envergonhadas. ”

REFERÊNCIAL

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem / Tradução Ana Maria Netto Machado. – Porto Alegre : Artmed, reimpressão 2008 / 1985.
WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14º ed. ver. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.


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