“Aprender a aprender”, “aprender a aprendizagem”,
“descobrir por si mesmo”, “aprender é incentivar”, “aprender não é transferir
conhecimento a ninguém” [...] “aprendizagem é explicar como o sujeito consegue
construir e inventar”. (PIAGET apud BECKER 2012 p. 34)
As
teorias da aprendizagem fundamentam a prática do professor, e a prática
comprova a efetividade das teorias, pois o saber docente não é formado somente
por prática ou teorias, mas sim uma união entre as duas vertentes. O professor
enquanto mediador da aprendizagem deve se posicionar como pesquisador, motivado
por inquietações, curiosidades, como nos fala Freire,
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo
buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e
me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e
me educo. Pesquiso para conhecer o que não conheço e comunicar ou anunciar a
novidade. (1996 p.32)
O conhecimento se constrói a partir da
ação, da interação e da experimentação, e por este motivo, nós enquanto
educadores somos responsáveis por possibilitar / proporcionar os estímulos
necessários para que isso ocorra, conforme a afirmação que Becker:
...o conhecimento não é dado nem nos objetos ou meio
físico (empirismo) nem na bagagem hereditária (apriorismo). O conhecimento
resulta de construções. O sujeito age espontaneamente- isto é,
independentemente de ensino, mas não independentemente dos estímulos sociais -,
com os esquemas ou estruturas que já construiu, sobre o meio físico ou social.
(2012, p. 116).
Para
que, as teorias se efetivem dentro de sala de aula o professor precisa se
posicionar enquanto pesquisador, instigando o aluno a pesquisar, a questionar,
a aprender a aprender, segundo Becker:
Aprende-se
porque se age para conseguir algo e, em um segundo momento, para se apropriar
dos mecanismos dessa ação primeira.
Aprende-se
porque se age e não porque se ensina, por mais que o ensino possa colaborar com
essa atividade. [...] A fonte da aprendizagem é a ação do sujeito, ou seja, o
indivíduo aprende por força das ações que ele mesmo pratica: ações que buscam
êxito e ações que, a partir do êxito obtido, buscam a verdade ao apropriar-se
das ações que obtiveram êxito. (2012, p. 33 a 34)
Freire
(1996 p.32) menciona a “curiosidade epistemológica”, essa curiosidade deve ser
estimulada desde o início da vida do indivíduo, com o objetivo de se
desenvolver e de construir o seu conhecimento. Para Vigotsky (1991, p. 89), “Os
processos de desenvolvimento da criança são independentes do aprendizado. O
aprendizado é considerado um processo puramente externo que está envolvido
ativamente no desenvolvimento. ” Segundo Rappaport (1981), Piaget vê as
crianças como um ser tentando descobrir o mundo a sua volta, e interagindo
ativamente com objetos e pessoas. Acreditamos que a criança é um ser capaz de
se descobrir, de descobrir o mundo que a rodeia e participar ativamente na
interação com os colegas e professoras, “a criança vai construir estruturas
mentais e adquirir modos de funcionamento dessas estruturas em função de sua tentativa incessante de entender
o mundo ao seu redor, compreender seus eventos e sistematizar suas ideias num
todo coerente. ” (RAPPAPORT 1981, p. 52). Segundo Becker (2012), Piaget define
o desenvolvimento como a construção de estruturas para a assimilação, a
aprendizagem está envolvida no processo de desenvolvimento. E o desenvolvimento
da aprendizagem só irá se dar se, as estruturas de assimilação forem capazes de
suprir um desenvolvimento, progressivamente complexos, caso contrário a
aprendizagem estagna, não irá avançar.
Segundo
Galvão (p.33) Wallon, estuda os domínios afetivos, cognitivos e motor,
procurando mostrar quais são, nos diferentes momentos do desenvolvimento, os
vínculos entre cada um e suas implicações com o todo representado pela
personalidade. O que resultam em quatro temas centrais na sua teoria: emoção,
movimento, inteligência, personalidade.
É
fundamental que o professor conheça e compreenda as teorias que regem o
desenvolvimento e os processos de ensino-aprendizagem, para desenvolver a sua
prática pedagógica, se faz então, necessário uma auto avaliação, a fim de refletir
criticamente sobre os pontos positivos e negativos de suas aulas, para poder
proporcionar aos alunos uma qualidade de ensino-aprendizagem.
REFERÊNCIAS:
BECKER,
Fernando. Educação e construção do
conhecimento / 2.ed. – Porto Alegre : Penso, 2012.
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes
necessários à prática educativa / São Paulo : Paz e Terra, 1996.
GALVÃO,
Izabel. Uma Reflexão Sobre o Pensamento
Pedagógico de Henri Wallon / Universidade de São Paulo – FEUSP p. 33 a 39.
Disponível em: http://crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p033-039_c.pdf Acesso em: 21 de jun. 2018.
RAPPAPORT,
Clara Regina. Psicologia do
desenvolvimento / Clara Regina, Wagner da Rocha Fiori, Claudia Davis. – São
Paulo : EPU, 1981 –
VIGOTSKY, Lev
Semenovich. A formação social da mente:
o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores / Organizadores:
Michael Cole, Tradução: José Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange
Castro Afeche. – 4. Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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