quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

As aprendizagens e as teorias.



“Aprender a aprender”, “aprender a aprendizagem”, “descobrir por si mesmo”, “aprender é incentivar”, “aprender não é transferir conhecimento a ninguém” [...] “aprendizagem é explicar como o sujeito consegue construir e inventar”. (PIAGET apud BECKER 2012 p. 34)

            As teorias da aprendizagem fundamentam a prática do professor, e a prática comprova a efetividade das teorias, pois o saber docente não é formado somente por prática ou teorias, mas sim uma união entre as duas vertentes. O professor enquanto mediador da aprendizagem deve se posicionar como pesquisador, motivado por inquietações, curiosidades, como nos fala Freire,

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (1996 p.32)

O conhecimento se constrói a partir da ação, da interação e da experimentação, e por este motivo, nós enquanto educadores somos responsáveis por possibilitar / proporcionar os estímulos necessários para que isso ocorra, conforme a afirmação que Becker:

...o conhecimento não é dado nem nos objetos ou meio físico (empirismo) nem na bagagem hereditária (apriorismo). O conhecimento resulta de construções. O sujeito age espontaneamente- isto é, independentemente de ensino, mas não independentemente dos estímulos sociais -, com os esquemas ou estruturas que já construiu, sobre o meio físico ou social. (2012, p. 116).

Para que, as teorias se efetivem dentro de sala de aula o professor precisa se posicionar enquanto pesquisador, instigando o aluno a pesquisar, a questionar, a aprender a aprender, segundo Becker:

Aprende-se porque se age para conseguir algo e, em um segundo momento, para se apropriar dos mecanismos dessa ação primeira.
Aprende-se porque se age e não porque se ensina, por mais que o ensino possa colaborar com essa atividade. [...] A fonte da aprendizagem é a ação do sujeito, ou seja, o indivíduo aprende por força das ações que ele mesmo pratica: ações que buscam êxito e ações que, a partir do êxito obtido, buscam a verdade ao apropriar-se das ações que obtiveram êxito. (2012, p. 33 a 34)

Freire (1996 p.32) menciona a “curiosidade epistemológica”, essa curiosidade deve ser estimulada desde o início da vida do indivíduo, com o objetivo de se desenvolver e de construir o seu conhecimento. Para Vigotsky (1991, p. 89), “Os processos de desenvolvimento da criança são independentes do aprendizado. O aprendizado é considerado um processo puramente externo que está envolvido ativamente no desenvolvimento. ” Segundo Rappaport (1981), Piaget vê as crianças como um ser tentando descobrir o mundo a sua volta, e interagindo ativamente com objetos e pessoas. Acreditamos que a criança é um ser capaz de se descobrir, de descobrir o mundo que a rodeia e participar ativamente na interação com os colegas e professoras, “a criança vai construir estruturas mentais e adquirir modos de funcionamento dessas estruturas em   função de sua tentativa incessante de entender o mundo ao seu redor, compreender seus eventos e sistematizar suas ideias num todo coerente. ” (RAPPAPORT 1981, p. 52). Segundo Becker (2012), Piaget define o desenvolvimento como a construção de estruturas para a assimilação, a aprendizagem está envolvida no processo de desenvolvimento. E o desenvolvimento da aprendizagem só irá se dar se, as estruturas de assimilação forem capazes de suprir um desenvolvimento, progressivamente complexos, caso contrário a aprendizagem estagna, não irá avançar. Segundo Galvão (p.33) Wallon, estuda os domínios afetivos, cognitivos e motor, procurando mostrar quais são, nos diferentes momentos do desenvolvimento, os vínculos entre cada um e suas implicações com o todo representado pela personalidade. O que resultam em quatro temas centrais na sua teoria: emoção, movimento, inteligência, personalidade.
É fundamental que o professor conheça e compreenda as teorias que regem o desenvolvimento e os processos de ensino-aprendizagem, para desenvolver a sua prática pedagógica, se faz então, necessário uma auto avaliação, a fim de refletir criticamente sobre os pontos positivos e negativos de suas aulas, para poder proporcionar aos alunos uma qualidade de ensino-aprendizagem.


REFERÊNCIAS:
BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento / 2.ed. – Porto Alegre : Penso, 2012.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa / São Paulo : Paz e Terra, 1996.
GALVÃO, Izabel. Uma Reflexão Sobre o Pensamento Pedagógico de Henri Wallon / Universidade de São Paulo – FEUSP p. 33 a 39. Disponível em: http://crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p033-039_c.pdf  Acesso em: 21 de jun. 2018.
RAPPAPORT, Clara Regina. Psicologia do desenvolvimento / Clara Regina, Wagner da Rocha Fiori, Claudia Davis. – São Paulo : EPU, 1981 –
VIGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores / Organizadores: Michael Cole, Tradução: José Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche. – 4. Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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