quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Os espaços externos na escola.




É nos espaços externos da escola, que as crianças socializam com os colegas da mesma turma e com os colegas de outras turmas, é muitas vezes nos espaços externos que elas, brincam em conjunto, correm, pulam corda, pulam por pular, escorregam, brincam de casinha fazendo comidinhas, brincam no barro, com água, fazem rodinhas de cantigas, cantam e se divertem tanto no brincar dirigido quanto no brincar livre, porém os dois tipos de brincar eles tem um significado muito forte para o desenvolvimento do educando, pois o brincar dirigido nós temos um objetivos específicos, onde iremos determinar o que iremos propor e o que queremos avaliar, já no brincar livre o educador se coloca em uma posição de observador, onde irá prestar atenção a todos os detalhes das brincadeiras.
A hora de ir para o pátio, é uma hora que significa prazer e divertimento para as crianças. Segundo Wanner e Madeira (2017, p. 156) “é necessário entender a importância do ambiente externo e de dar prioridade para esse espaço instigante, conseguindo propiciar um processo de transição entre o dentro e fora. ” As autoras nos falam ainda que: “o pátio é um espaço privilegiado de descoberta de si e do entorno, vivendo em amoroso equilíbrio consigo mesmo e com todos os outros seres vivos, [...] a palavra pátio, para além de estar aberto, exposto, evidente, é, especialmente, um espaço de relações de percepções e de descoberta. ” (2017, p.157).
É importante disponibilizarmos materiais não estruturados, brinquedos de diversos tipos para que a criança possa escolher com o que brincar no pátio. Segundo Wanner e Madeira (2017, p. 166) “ é necessário obter espaços adequados e materiais distintos que convidem as crianças a criarem suas próprias histórias, tornando-as protagonistas do seu desenvolvimento, interagindo com seu meio e desenvolvendo as diversas linguagens, estabelecendo seus esquemas sociais, afetivos, cognitivos, estéticos e motores, dando-se também a importância devida à imaginação. ” 
Podemos observar as crianças no pátio por horas, elas brincam entretidas, concentradas em suas atividades, brincam e interagem uns com os outros livremente, conversam, constroem coisas com barro e areia, jogam futebol, brincam com a bola, cuidam das crianças mais novas e pequenas, pode-se observar leveza e espontaneidade enquanto as crianças brincam.


REFERÊNCIA
WANNER, Lusaqueli. MADEIRA, Rosemary Modernel. O intocável ao alcance das crianças: vivências no pátio escolar. p. 151 a 169. – Para pensar a educação infantil em tempos de retrocesso: lutamos pela educação infantil. Org. ALBUQUERQUE, Simone de Santos. FELIPE, Jane. CORSO, Luciana Vellinho.  – Porto Alegre: ed. Evangraf. 2017.



terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por que a criança deve brincar com Materiais não Estruturados?



Os materiais não estruturados, proporcionam a criança um desenvolvimento cognitivo, de coordenação motora ampla e fina, pensamento lógico, onde a imaginação e criatividade criam asas e se tornam mil e uma coisas diferentes.
As atividades que envolvem materiais tipo: garrafas pet, caixas de ovos, caixas de leite, caixas de papelão, tampas de garrafa, entre outros materiais de sucata e os elementos da natureza, eles promovem uma integração entre os atos visuais, motores e cognitivos, onde a criança faz testagens e formula hipóteses, para a utilização do material. A criança passa então, pelo processo de refletir, planejar, formar um objetivo e colocar em prática para transformar os materiais em brinquedos e brincadeiras.
Na exploração de objetos de largo alcance ou não estruturados, não existe o certo ou errado. A experimentação e a descoberta durante a manipulação ativam as conexões cerebrais, pois a criança está num momento de investigação em que as propriedades dos materiais disponibilizados estão sendo pesquisadas pelos pequenos através de suas ações. É como se a criança pequena estivesse em um laboratório multissensorial, onde muitos conceitos estão sendo descobertos e construídos com a utilização de materiais que possuem a capacidade de se transformar de forma diversificada. (MEIRELLES e HORN, 2017, p. 73)
É muito comum ver crianças brincando com pedaços de papelão onde na imaginação delas é um celular, brincando de carrinho com tampinhas de garrafa, fazendo uma garrafa de microfone, fazendo comidinha em tampas de potes ou potes, brincando com pedaços de tecidos onde esses tecidos viram vestidos maravilhosos e capas de super-heróis, vira até tapete mágico, entre outras coisas que elas inventam e ficam maravilhadas brincando por horas. É impressionante como a imaginação da criança flui de forma tão encantadora e ingênua, onde ela consegue transformar uma coisa tão simples em algo fantástico.
Referências
MEIRELLER, Darciana da Silva. HORN, Maria da Graça Souza. O brincar heurístico: uma potente abordagem para a descoberta do mundo.  p. 69 a 83 – Para pensar a educação infantil em tempos de retrocesso: lutamos pela educação infantil. Org. ALBUQUERQUE, Simone de Santos. FELIPE, Jane. CORSO, Luciana Vellinho.  – Porto Alegre: ed. Evangraf. 2017.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Materiais para o Brincar Heurístico!



A sessão do brincar heurístico se organiza da seguinte maneira, de acordo com as autoras Goldschmied e Jackson (2006): É necessário ser oferecido no mínimo 15 variedades de materiais, em um espaço amplo, para que a criança possa se movimentar livremente,  todos os outros tipos de materiais devem ser guardados ficando à disposição da criança somente os materiais do brincar heurístico.
O ideal de sessão é de uma hora, e não deve ser feita todos os dias da semana, no máximo oito crianças por sessão, as crianças devem juntar os brinquedos ao final de cada sessão, “é recomendado que não faça perguntas para a criança tipo “quem vai me ajudar a guardar?, pois há sempre o risco de que a resposta seja “eu não”. Uma tática melhor consiste em dar um objeto para uma criança que esteja próxima, um rolo para cabelos, digamos, e indicar por meio de gestos que ela deve colocá-lo na sacola aberta. [...] e fazer comentários simples ‘tem um debaixo daquilo’, ‘atrás da cadeira’, tem um perto do seu pé,...’, para mostrar que todos os objetos de um mesmo tipo devem ser colocados em sua sacola especifica. Cada frase é conectada diretamente a uma ação, de forma que mesmo as crianças mais novas não encontram dificuldades em realizar a tarefa” (GOLDSCHMIED, JACKSON, 2006, p. 156)
O papel do adulto é de facilitador, observador, organizador e não o de iniciador, o adulto oferece uma atenção que não interfira com o brincar, e a concentração.

Materiais sugeridos que podem compor o Brincar Heurístico são os seguintes: (GOLDSCHMIED, JACKSON, 2006, p. 159 a 160).

A ser obtidos ou manufaturados:
  • ·         Sacola que possa ser fechada com uma corda
  • ·         Castanhas grandes
  • ·         Chaves velhas, em molhos pequenos
  • ·         Cilindros de papelão de todo tipo (como os que vêm em rolos de papel toalha, papel contact...)
  • ·         Conchas de moluscos
  • ·         Cones de pinho
  • ·         Latas e recipientes de tamanhos variados
  • ·         Pompons de lã, não muito grandes, em cores primárias
  • ·         Restos de madeiras de carpintaria
  • ·         Rolhas
  • ·         Sacolas e caixas pequenas
  • ·         Tampas de latas de metal
  • ·         Tiras de veludo, seda e renda

A ser comprados:
  • ·         Argolas de cortina, de madeira e metal
  • ·         Bolas de pingue-pongue
  • ·         Botões de marfim
  • ·         Pedaços de correntes com diferentes comprimentos e tamanhos de elos
  • ·         Prendedores de roupa
  • ·         Rolhas pequenas e grandes
  • ·         Rolos para cabelo de diâmetros diferentes
  •       Tapetes de borracha.
Referência:
GOLDSCHMIED, Elinor. JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos : o atendimento em creche / tradução Marlon Xavier. – 2. Ed. – Porto Alegre : Artmed, 2006

O Brincar Heurístico!

O Brincar Heurístico a palavra “Heurístico significa, arte de descobrir e inventar”, esse brincar heurístico se caracteriza então, em um brincar onde a exploração e a descoberta andam juntas, no qual a criança descobre e explora por si mesma as possibilidades dos diferentes objetos e receptáculos. Segundo as autoras Goldschmied e Jackson (2006) é no segundo ano de vida que as crianças sentem uma grande vontade de explorar e descobrir as coisas a sua volta, por si mesmos, como os objetos manipulados se comportam no seu espaço, os impulsos de utilizar sua coordenação olho-mão-objeto, ficam cada vez mais aguçados, e a sua curiosidade cada vez mais vívida, a brincadeira da criança se torna então exploratória e espontânea ao interagir com as coisas ao seu redor.
Segundo as autoras Goldschmied e Jackson (2006) as crianças selecionam espontaneamente os objetos, trabalham com objetivos em mente de forma concentrada, em nenhum momento deve se colocar maneiras corretas ou erradas de se brincar, a criança deve estipular, observar quais manuseios irá fazer dos objetos e seus receptáculos, e fazer as suas próprias conclusões. As crianças irão testar os materiais dispostos a elas, empilhando, rolando, separando, passando um por dentro do outro, comparando, testando o equilíbrio, o seu desenvolvimento em manipular as coisas é essencial para que a atividade seja satisfatória e prazerosa.
“[...] devemos criar espaço e tempo para fomentar esse tipo de brincar, reconhecendo que as crianças em seu segundo ano de vida têm necessidades educacionais específicas, da mesma forma que as de 4 anos as têm. ” (GOLDSCHMIED, JACKSON, 2006, p. 152)
“O brincar heurístico é uma abordagem, e não uma prescrição
[...] um dos grandes méritos dessa abordagem é que ela libera a criatividade dos adultos e torna a tarefa de cuidar das crianças muito mais estimulante. (GOLDSCHMIED, JACKSON, 2006, p. 149), essa prática promove efeitos tanto no adulto responsável quanto da criança, pois o adulto também tem um papel fundamental, visto que, ele irá selecionar os materiais, assegurar-se que os objetos estejam adequados para o manuseio dos bebês, dar manutenção ao material e/ou substituir, iniciara a sessão oferecendo os objetos e os receptáculos, reorganizará os objetos durante a sessão sem que a criança veja, no final irá inicial a coleta de recolhimento do material nas sacolas, e durante toda a sessão do brincar heurístico o adulto irá ser observador, não poderá sugerir, estimular e nem elogiar o brincar.


Deixo aqui uma tabela que fiz para orientar na hora de observar as crianças brincarem.


Referência:
GOLDSCHMIED, Elinor. JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos : o atendimento em creche / tradução Marlon Xavier. – 2. Ed. – Porto Alegre : Artmed, 2006

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Diretrizes e Materiais para a utilização do Cesto dos Tesouros


       As diretrizes e Materiais para o uso dos Cesto dos Tesouros, segundo Goldschmied e Jackson (2006), o cesto é feito de materiais naturais e nunca de plástico, deve ter de 101 a 125 mm de altura e não deve ter menos de 351mm de diâmetro, ter um fundo plano, não tenha alças laterais e seja resistente o suficiente para que o bebê possa se apoiar sem que ele vire. O cesto deve estar cheio de objetos até a borda, para que o bebê possa ter uma ampla gama de ação para mexer e selecionar os objetos. Os objetos do cesto precisam ser de cuidados e manutenção, tais como: lavagem e substituição caso esteja inapropriado para o bebê.
Os objetos selecionados têm por objetivo proporcionar ao máximo o desenvolvimento dos bebês, as autoras Goldschmied e Jackson (2006) nos falam dos estímulos que o cesto deve proporcionar, que são:
·         Tato: textura, formato, peso
·         Olfato: uma variedade de cheiros
·         Paladar: tem um alcance mais limitado, porém possível
·         Audição: sons como o de campainhas, tilitar, batidas, coisas sendo amassadas
·         Visão: cor, formas, comprimento, brilho. (2006, p. 125)


Materiais que devem se encontrar no cesto dos tesouros, segundo Goldschmied e Jackson (2006, p 125 a p.128):

Objetos naturais:
  • ·         Abóboras secas
  • ·         Castanhas grandes
  • ·         Conchas
  • ·         Cones de pinho, de diferentes tamanhos
  • ·         Nozes grandes
  • ·         Núcleos de caroços de abacate
  • ·         Pedaços de esponja
  • ·         Pedra-pomes
  • ·         Penas grandes
  • ·         Pequenas esponjas naturais
  • ·         Rolhas de tamanhos grandes
  • ·         Seixos grandes
  • ·         Um limão
  • ·         Uma maçã

Objetos feitos de materiais naturais:
  • ·         Alças de sacolas feitas de bambu
  • ·         Anel de osso
  • ·         Bola de fios de lã
  • ·         Calçadeira de osso
  • ·         Escola de dente
  • ·         Escova de madeira para unhas
  • ·         Pequenas escovas de sapatos
  • ·         Pequenos cestos
  • ·         Pincel de pintura
  • ·         Pincel para barba

Objetos de madeira:
  • ·         Apito de bambu
  • ·         Aro de cortina
  • ·         Aro para guardanapos
  • ·         Caixinhas forradas com veludo
  • ·         Castanholas
  • ·         Chocalhos de vários tipos
  • ·         Cilindros: bobina, carretel de linha
  • ·         Colher ou espátula
  • ·         Contas coloridas presas em cordas
  • ·         Cubos – pequenos pedaços de madeira
  • ·         Pequeno tambor de madeira
  • ·         Pregadores de roupas de dois tipos
  • ·         Tigelinha virada
  • ·         Xicara de cafezinho

Objetos de metal:
  • ·         Apito de escoteiro
  • ·         Aros de chaveiros entrelaçados
  • ·         Aros de cortina de metal
  • ·         Bijuterias
  • ·         Campainhas de bicicletas
  • ·         Clipes de papel
  • ·         Coador de chá
  • ·         Colheres de vários tamanhos
  • ·         Copo grande de metal
  • ·         Escova para limpar garrafas
  • ·         Espremedor de alho
  • ·         Espremedor de frutas
  • ·         Forminhas
  • ·         Infusos de chá
  • ·         Latas fechadas contendo arroz, feijão, pedrinhas, etc.
  • ·         Latinhas com as bordas lixadas (sem partes afiadas)
  • ·         Molho de chaves
  • ·         Pedaços de correntes de diferentes tipos
  • ·         Pequena flauta
  • ·         Pequeno batedor de ovos
  • ·         Pequeno cinzeiro
  • ·         Pequeno espelho com moldura de metal
  • ·         Pequeno funil
  • ·         Tampa de perfume grande
  • ·         Tampas de latas – vários tipos
  • ·         Triângulo de metal
  • ·         Trompete de brinquedo
  • ·         Vários sinos
  • ·         Xícara para ovos de metal

Objetos feitos de couro, têxtil, borracha e pele:
  • ·         Aros para cãezinhos
  • ·         Bola de borracha
  • ·         Bola de golfe
  • ·         Bola de pele
  • ·         Bola de tênis
  • ·         Bolsa de couro
  • ·         Bolsa decorada com contas
  • ·         Bolsinha de couro com zíper
  • ·         Bonequinha de retalhos
  • ·         Estojo de couro para óculos
  • ·         “osso” de borracham para cãezinhos
  • ·         “osso” de mármore colorido
  • ·         Pedaços de tubos de borracha
  • ·         Plugue de banheira com a correntinha
  • ·         Puff de maquiagem feito de veludo
  • ·         Sacos de feijão
  • ·         Saquinhos de pano contendo lavanda, alecrim, tomilho, cravos-da-índia
  • ·         Ursinho de pelúcia

Papel, papelão:
  • ·         Cilindros de papelão provenientes de tubos de toalhas de papel
  • ·         Papel impermeável
  • ·         Papel laminado
  • ·         Pequenas caixas de papelão
  • ·         Pequeno caderno com espiral.

Referência:
GOLDSCHMIED, Elinor. JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos : o atendimento em creche / tradução Marlon Xavier. – 2. Ed. – Porto Alegre : Artmed, 2006

O Cesto dos Tesouros!



O cesto dos tesouros foi desenvolvido por uma educadora Inglesa Elinor Goldschimied, essa proposta tem por objetivo promover a aprendizagem dos bebês através de diferentes estímulos e sentidos, por meio de objetos naturais, papelão, madeira, metal, couro e diversos tipos de texturas que o bebê pode manipular e experimentar coisas novas além do tradicional brinquedo estruturado, segundo Goldschimied e Jackson (2006), o cesto de tesouros agrupa uma rica variedade de objetos que estão no cotidianos, as autoras nos falam ainda que: “o uso do cesto de tesouros consiste em uma maneira de assegurar a riqueza das experiências do bebê em um momento em que o cérebro está pronto para receber, fazer conexões e assim utilizar essas informações. (GOLDSCHMIED E JACKSON 2006, p. 114)”  
Os materiais selecionados para compor o cesto dos tesouros segundo as autoras Goldschmied e Jackson (2006) foram escolhidos a partir de falas de famílias que relataram que por vezes os seus filhos preferiam e se fascinavam em brincar com portas de armários, panelas, caixas de sapato, chaves de carro e casa, o que podemos observar em nosso cotidiano dentro da escola e em contato com as crianças em nossa volta, muitas vezes elas preferem brincar com objetos que para nós adultos não fazem muito sentido ou que não seria a nossa preferência de brincadeira, mas para eles um simples rolo de papel higiênico pode ser transformar em mil e um coisas diferentes.
O cesto dos tesouros pode ser oferecido aos bebês que já conseguem sentar sozinhos sempre com a supervisão de um responsável, mas esse responsável tem que estar ciente que não poderá interferir nas brincadeiras desenvolvidas pelo bebê, pois irá surgir desafios em que o bebê tem que tentar resolver sozinho. Segundo as autoras Goldschmied e Jackson (2006, p.116) “A atenção concentrada dos bebês pode durar até uma hora ou mais. Há dois fatores [...] há curiosidade da criança, que a variedade de objetos elícita, e sua vontade de praticar sua crescente habilidade de tomar posse, por sua própria vontade, daquilo que é novo, atraente e próximo. ”

Referência:
GOLDSCHMIED, Elinor. JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos : o atendimento em creche / tradução Marlon Xavier. – 2. Ed. – Porto Alegre : Artmed, 2006

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Hora do Jogo.








É na “Hora do jogo”, que obtemos as informações de como a criança brinca, interage, organiza e integra os seus conhecimentos a nível representativo. Segundo Weiss (2012, p. 75),

Todo profissional que trabalha com crianças sente que é indispensável haver um espaço e tempo para a criança brincar e assim melhor se comunicar, se revelar. [...] a técnica do jogo em psicanálise foi elaborada por Melanie Klein, Anna Freud, Margaret Lowenfeld e outros, que aprofundaram o simbolismo inconsciente do jogo. Por um lado, Jean Piaget, em pesquisas sobre a construção do pensamento e da sociabilidade, mostra a elaboração dojogo nas diferentes idades, o que nos permite ter alguns parâmetros para a observação do jogo infantil. A visão de Winnicott, contudo, possibilita uma compreensão mais integradora do brincar da aprendizagem.

Segundo Winnicott (apud WEISS 2012, P. 75) “ É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu [self]. ” Ao brincar a criança experimenta, explora todo o potencial dos brinquedos “objetos” que estão ao seu alcance.
A hora do jogo possibilita um diagnóstico da organização interior e exterior da criança, segundo Weiss (2012, p. 75), “No diagnóstico, o uso de situações lúdicas é uma possibilidade de se compreender, basicamente, o funcionamento dos processos cognitivos e afetivosociais em suas interferências. ” A autora continua...

Ao abrir um espaço de brincar durante o diagnóstico, já se está possibilitando um movimento na direção da saúde, da cura, pois brincar é “universal e saudável”. Rompe-se assim a fronteira entre o diagnóstico e o tratamento, já que o próprio diagnóstico passa a ter um caráter terapêutico, o que encontra apoio nas palavras de Winnicott “A psicoterapia se efetua na sobreposição de duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta. A psicoterapia trata de duas pessoas que brincam juntas. ” (2012, p. 77)

Segundo Paín. (1985), a atividade da “Hora do jogo” se divide em três momento:

a)       Primeiro, um inventário, no qual a criança trata de classificar, de alguma maneira, o conteúdo da caixa. Seja por meio de mera manipulação dos objetos, seja experimentando seu funcionamento, seja notando sua presença através do olhar, o sujeito procurará fazer uma composição de lugar avaliando os elementos de que dispõe de modo que estes venham sugerir-lhe possibilidades de ação.
b)       Um Segundo momento é delicado à postulação de um jogo, construído em torno de um esboço de sequência que é um desenvolvimento coerente da hipótese escolhida. O material deixa de ser utilizado ou manipulado em si e começa a formar parte de uma organização simbólica que é realizada por sucessivos ensaios por meio dos quais a criança dirige a ação, escolhe o destino e o papel dos personagens, corrige o argumento, combina e mantém adequados os materiais na busca de um fim antecipado, aceitando e também descartando significantes e episódios.
c)       Em um terceiro e último momento, é realizada a aprendizagem propriamente dita, isto é, a integração da experiência atual entra no sujeito como conhecimento. Tal integração é realizada, simultaneamente, de duas maneiras, uma por resumo ou esquematização do jogo, naquilo que ele tem de mais coerente e equilibrado, e outra pela vinculação deste esquema com os anteriores através de uma assimilação coordenadora. (p. 52 a 53)

É importante explicar para a criança como iria funcionar o jogo, e que poderiam construir e brincar com tudo que tinha dentro da caixa. Segundo Paín (1985, p. 51), “o material utilizado para essa técnica diagnóstica, quando se trata de diagnosticar o problema de aprendizagem, é predominantemente não-figurativo, pois interessa prestar atenção ao processo de construção do simbólico, mais do que às projeções efetuada sobre um objeto já determinado pelo seu conteúdo. ”

Materiais para utilizar na Hora do Jogo:

·         Caixa retangular de papelão neutro;
·         Madeiras: pedaços com formas e sem formas;
·         Cartões duros de papelão;
·         Fichas de papelão com formatos;
·         Papéis coloridos;
·         Pedaços de folhas de cartolina;
·         5 folhas de oficio;
·         Canetas hidrocor soltas;
·         Caixinha de clips solta;
·         Tesoura de ponta redonda;
·         Percevejos dentro de um saco plástico;
·         Cola;
·         2 pincéis (fino e grosso);
·         Palitos de picolé;
·         3 cores de têmpera coloridos;
·         Retalhos de pano colorido;
·         Massa de modelar;
·         Cordões;
·         Carretéis vazios;
·         Tubos de papel higiênico;
·         3 miniaturas de bichos;
·          3 miniaturas de bonecas.

Segundo Paín (1985, p. 52), “a hora do jogo pode ser realizada até os 9 anos inclusive, pois, a partir dos 10 anos, as crianças preferem jogos de regras e oferecer-lhes uma atividade superada costuma torna-las confusas e envergonhadas. ”

REFERÊNCIAL

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem / Tradução Ana Maria Netto Machado. – Porto Alegre : Artmed, reimpressão 2008 / 1985.
WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14º ed. ver. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.