sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Psicopedagogia e Anamnese segundo Lúcia M. Weiss e Sara Paín.


Segundo Weiss (2012), a anamnese é crucial para um bom diagnóstico, e tem o objetivo de colher dados do paciente e da família, pois ela viabiliza a incorporação das três dimensões do paciente sendo elas: passado, presente e futuro, “permitindo perceber a construção ou não de sua própria continuidade e das diferentes gerações, ou seja, é uma anamnese da família. (p. 65)” É de extrema importância ter uma visão história da familiar do paciente, pois segundo Weiss (2012, p .65) “traz em seu bojo seus preconceitos, normas, expectativas, a circulação dos afetos e do conhecimento, além do peso das gerações anteriores que é depositado sobre o paciente.” Segundo Paín (1985, p. 42), “a “história vital” nos promoverá de uma série de dados relativamente objetivos vinculados às condições atuais do problema, permitindo-nos, simultaneamente, detectar o grau de individualização que a criança tem com relação à mãe e a conservação de sua história nela. ” A autora continua:
[...] nesta entrevista, necessitamos de uma série de dados bem-estabelecidos, ela deverá ser tão livre quanto possível, dando-se à mãe como instrução o tema geral, deixando que as especificações surjam da espontaneidade do diálogo. Ao fazer a pergunta, procura-se incluir o nome do paciente para definir melhor o objetivo, como, por exemplo, “o que você pode me dizer sobre o nascimento de Alberto? ”. Caso a mãe se mostre muito lacônica, confusa ou resistente, fecham-se um pouco as perguntas ou, então, inclui-se afetuosamente a mãe no relato, interessando-se pelas suas próprias experiências nos momentos nos quais deseja revivê-las; por exemplo, “você tinha em quem confiar? Quem a ajudava? ”; muitas vezes a mãe entende em tal frase um convite para corrigir certas experiências e recuperar delas níveis de satisfação sepultadas pelo rancor da carência, neste momento em que lhe oferecemos a garantia da compreensão. Em outro extremo poderemos encontrar uma mãe verborreica, que nos inunda com circunstâncias e anedotas, tecendo uma cortina de confusão que não permite aproximarmo-nos do sujeito de nosso estudo. Às vezes as mães respeitam os limites de um questionário mais fechado, mas quase sempre nos obrigam a denunciar que algo está oculto. (p. 42 a 43)

Paín (1985) nos fala resumidamente os aspectos ligados ao problema de aprendizagem, vejamos os pontos destacados pela autora:

a)       Disponibilidade corporal (antecedentes natais e mórbidos, disposição atual, psicossomática);
b)       Ritmo e autonomia de desenvolvimento;
c)       Aprendizagem: esquemas assimilativos-acomodativos; exercício lúdico e imitativo, história escolar e informação;
d)       Aprendizagem e escola na ideologia do grupo de pertencimento. (p. 50)

Ao realizar a anamnese temos que ter em mente, que ela não é um questionário para ser perguntado e respondido, e sim um diálogo tranquilo onde possamos ir traçando a vida familiar desde a concepção do paciente, segundo Weiss (2012, p. 67) “a história do paciente tem início no momento da concepção. ”, podemos refletir junto aos envolvidos os momentos antes da concepção, onde pai e mãe tinham suas vidas independentes. Para Weiss (2012, p. 67) “ É preciso não perder de vista a continuidade da construção da personalidade do paciente. Ao mesmo tempo, vai se alargando a compreensão dos momentos fundamentais dessa história de vida. ” A autora continua:

Tais condições não significam que a entrevista seja obrigatoriamente livre. Há casos em que, pelas características do casal e do paciente, deixo que aconteça apenas a fala espontânea. No entanto, os objetivos da entrevista devem estar bem definidos, e recorro a perguntas sempre que necessário. O mais comum é a entrevista ter um caráter semidiretivo. (2012, p. 76)

É preciso saber momento de fazer a entrevista e quais serão os entrevistados, Weiss (2012, p. 65), fala que:
Outro aspecto a avaliar é como e com quem fazer essas entrevistas. Comumente chamo os pais para juntos refletirmos sobre alguns pontos. Há casos em que converso com avós, tios ou irmãos mais velhos que sabem algo sobre a vida dessa família e têm observações pessoais sobre ela. [...] é preciso que todos tenham a liberdade de expor seus pensamentos e sentimentos sobre o paciente para que se possa compreender os pontos nevrálgicos ligados à aprendizagem.

Após a realização da anamnese, podemos fazer os levantamentos das hipóteses possíveis para a causa e ou motivo de procurar um especialista em psicopedagogia. “é necessário que seja bem conduzida e registrada. (WEISS 2012, p. 65)”

Em alguns casos, não é suficiente uma sessão para anamnese; há necessidade de continuar. O que leva a isso não é a quantidade de informações, mas a qualidade, como são faladas as coisas, a dinâmica revelada na família, o modo de tratar o paciente. Esse prolongamento, na prática, se caracteriza como uma intervenção. (WEISS 2012, p. 66)

Para Weiss (2012) toda anamnese, tem em si, uma intervenção familiar em relação à aprendizagem de vida do paciente e dos envolvidos no caso em estudo. Pois sempre ocorre uma reflexão por parte dos envolvidos, com relação ao passado, uma busca do início e concepção de vida do paciente o que resulta em observações e reflexões sobre a sua vida familiar como um todo.

REFERÊNCIA

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem / Tradução Ana Maria Netto Machado. – Porto Alegre : Artmed, reimpressão 2008 / 1985.
WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14º ed. ver. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.

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