Segundo Weiss (2012), a anamnese é crucial
para um bom diagnóstico, e tem o objetivo de colher dados do paciente e da
família, pois ela viabiliza a incorporação das três dimensões do paciente sendo
elas: passado, presente e futuro, “permitindo perceber a construção ou não de
sua própria continuidade e das diferentes gerações, ou seja, é uma anamnese da família. (p. 65)” É de
extrema importância ter uma visão história da familiar do paciente, pois
segundo Weiss (2012, p .65) “traz em seu bojo seus preconceitos, normas,
expectativas, a circulação dos afetos e do conhecimento, além do peso das
gerações anteriores que é depositado sobre o paciente.” Segundo Paín (1985, p.
42), “a “história vital” nos promoverá de uma série de dados relativamente
objetivos vinculados às condições atuais do problema, permitindo-nos,
simultaneamente, detectar o grau de individualização que a criança tem com
relação à mãe e a conservação de sua história nela. ” A autora continua:
[...] nesta entrevista, necessitamos de uma série de
dados bem-estabelecidos, ela deverá ser tão livre quanto possível, dando-se à
mãe como instrução o tema geral, deixando que as especificações surjam da
espontaneidade do diálogo. Ao fazer a pergunta, procura-se incluir o nome do
paciente para definir melhor o objetivo, como, por exemplo, “o que você pode me
dizer sobre o nascimento de Alberto? ”. Caso a mãe se mostre muito lacônica,
confusa ou resistente, fecham-se um pouco as perguntas ou, então, inclui-se
afetuosamente a mãe no relato, interessando-se pelas suas próprias experiências
nos momentos nos quais deseja revivê-las; por exemplo, “você tinha em quem
confiar? Quem a ajudava? ”; muitas vezes a mãe entende em tal frase um convite
para corrigir certas experiências e recuperar delas níveis de satisfação
sepultadas pelo rancor da carência, neste momento em que lhe oferecemos a
garantia da compreensão. Em outro extremo poderemos encontrar uma mãe
verborreica, que nos inunda com circunstâncias e anedotas, tecendo uma cortina
de confusão que não permite aproximarmo-nos do sujeito de nosso estudo. Às
vezes as mães respeitam os limites de um questionário mais fechado, mas quase
sempre nos obrigam a denunciar que algo está oculto. (p. 42 a 43)
Paín
(1985) nos fala
resumidamente os aspectos ligados ao problema de aprendizagem, vejamos os
pontos destacados pela autora:
a) Disponibilidade
corporal (antecedentes natais e mórbidos, disposição atual, psicossomática);
b) Ritmo
e autonomia de desenvolvimento;
c) Aprendizagem:
esquemas assimilativos-acomodativos; exercício lúdico e imitativo, história
escolar e informação;
d) Aprendizagem
e escola na ideologia do grupo de pertencimento. (p. 50)
Ao realizar a anamnese temos que ter em
mente, que ela não é um questionário para ser perguntado e respondido, e sim um
diálogo tranquilo onde possamos ir traçando a vida familiar desde a concepção
do paciente, segundo Weiss (2012, p. 67) “a história do paciente tem início no
momento da concepção. ”, podemos refletir junto aos envolvidos os momentos antes
da concepção, onde pai e mãe tinham suas vidas independentes. Para Weiss (2012,
p. 67) “ É preciso não perder de vista a continuidade da construção da personalidade
do paciente. Ao mesmo tempo, vai se alargando a compreensão dos momentos
fundamentais dessa história de vida. ” A autora continua:
Tais condições não significam que a entrevista seja
obrigatoriamente livre. Há casos em que, pelas características do casal e do
paciente, deixo que aconteça apenas a fala espontânea. No entanto, os objetivos
da entrevista devem estar bem definidos, e recorro a perguntas sempre que
necessário. O mais comum é a entrevista ter um caráter semidiretivo. (2012, p.
76)
É preciso saber momento de fazer a
entrevista e quais serão os entrevistados, Weiss (2012, p. 65), fala que:
Outro aspecto a avaliar é como e com quem fazer essas
entrevistas. Comumente chamo os pais para juntos refletirmos sobre alguns
pontos. Há casos em que converso com avós, tios ou irmãos mais velhos que sabem
algo sobre a vida dessa família e têm observações pessoais sobre ela. [...] é preciso
que todos tenham a liberdade de expor seus pensamentos e sentimentos sobre o
paciente para que se possa compreender os pontos nevrálgicos ligados à
aprendizagem.
Após a realização da anamnese, podemos
fazer os levantamentos das hipóteses possíveis para a causa e ou motivo de
procurar um especialista em psicopedagogia. “é necessário que seja bem
conduzida e registrada. (WEISS 2012, p. 65)”
Em alguns casos, não é suficiente uma sessão para
anamnese; há necessidade de continuar. O que leva a isso não é a quantidade de
informações, mas a qualidade, como são faladas as coisas, a dinâmica revelada
na família, o modo de tratar o paciente. Esse prolongamento, na prática, se
caracteriza como uma intervenção. (WEISS
2012, p. 66)
Para Weiss (2012) toda anamnese, tem em
si, uma intervenção familiar em relação à aprendizagem de vida do paciente e
dos envolvidos no caso em estudo. Pois sempre ocorre uma reflexão por parte dos
envolvidos, com relação ao passado, uma busca do início e concepção de vida do
paciente o que resulta em observações e reflexões sobre a sua vida familiar
como um todo.
REFERÊNCIA
PAÍN,
Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem / Tradução Ana
Maria Netto Machado. – Porto Alegre : Artmed, reimpressão 2008 / 1985.
WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia clínica: uma visão
diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14º ed. ver. e ampl. Rio de
Janeiro: Lamparina, 2012.

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