A
Psicopedagogia nasceu na Europa por volta do século XIX, pois surgiu de uma
preocupação com os problemas que se tinha na aprendizagem. Segundo Bossa (2000)
neste mesmo período, surge a psicologia independente, onde o comportamento
humano era um objeto de estudo, medido e controlado nos laboratórios
experimentais. Esses estudos serviram, então, para justificar as desigualdades
sociais da época. Segundo Bossa (2000, p. 37)
No
que tange à escola, os testes procurarão explicar as diferenças de rendimento
dos alunos e o acesso diferenciado aos diversos graus de escolarização. Este
conhecimento produzido cientificamente, portanto verdadeiro e único, será a
base do pensamento reinante entre psicólogos e educadores a respeito das causas
do fracasso escolar.
Envolvidas
no fracasso escolar estavam as crianças que eram denominadas de “anormais”. Segundo
Bossa (2000, p.37) “O conceito de anormalidade, aos poucos, foi sendo deslocado
dos centros psiquiátricos para as escolas. A criança que não conseguia aprender
era taxada como “anormal”, devido a interpretação de que a causa de seu
fracasso era atribuída a alguma anomalia anatomofisiológica. ” Foi a partir
desse século que teve início o interesse pelos estudos sobre pessoas com
deficiências físicas, mentais e sociais, entre outros problemas que
comprometiam o processo de aprendizagem dos indivíduos. Os estudos buscavam
compreender esses seres humanos em suas singularidades.
Segundo Bossa (2000) na segunda
década do século XX surgem então os primeiros centros de reeducação para as
crianças com déficit na aprendizagem, esses centros eram formados por diversos
profissionais da área da saúde e educadores, os quais buscavam unir seus
conhecimentos para diagnosticar e tratar o comportamento dos indivíduos, tanto
no âmbito escolar, como em seus lares, objetivando a sua readaptação à
sociedade.
Segundo
Sara Paín (apud BOSSA 2000, p.39), “[...] o objetivo do tratamento
psicopedagógico é o desaparecimento do sintoma e a possibilidade do sujeito
aprender normalmente em condições melhores, enfatizando a relação que ele possa
ter com a aprendizagem, ou seja, que o sujeito seja o agente da sua própria
aprendizagem e que se aproprie do conhecimento.” Segundo Bossa (2008)
As
tentativas de definição do campo psicopedagógico consideram que a
psicopedagogia constitui um conjunto de práticas institucionalizadas de
intervenção no campo da prevenção, seja como diagnóstico e tratamento das
dificuldades de aprendizagem, seja, ainda, como intervenção específica no
processo de aprendizagem escolar; portanto, uma área que estuda e trabalha com
o processo de aprendizagem e os fatores que favorecem, bem como com aqueles que
comprometem esse processo, gerando as dificuldades de aprendizagem. Seus
domínios específicos são: o sujeito do conhecimento, o agente de transmissão e
suas dimensões construtivas; logo, o sujeito-objeto da Psicopedagogia é o ser
humano contextualizado em situações de aprendizagem. (p.45)
No
Brasil, segundo Bossa (2000), na década de 70, foi amplamente difundido o
pensamento de que os problemas de aprendizagens se davam em função de disfunção
cerebral mínima (DCM). Embora a disfunção não fosse detectável em exame clínico,
esse foi um dos rótulos que se utilizou para camuflar os problemas
sociopsicopedagógicos. Somente na “década de 80 começa a se configurar uma
teoria sócio-política a respeito do fracasso escolar e o “problema de
aprendizagem escolar” passa a ser concebido como “problema de ensinagem. ” (BOSSA,
2000, p. 49)
Compreendemos
então que, a Psicopedagogia é um campo interdisciplinar do saber, que busca as
suas bases teóricas em diversas áreas do conhecimento, a fim de desenvolver uma
formação que articule as diferentes áreas do saber e que possibilite a atuação
do psicopedagogo na intervenção e prevenção dos déficits nos processos de ensino
aprendizagem, Bossa (2008, p.46) nos fala que:
A
ação psicopedagógica foi se estruturando na integração dos conhecimentos de
Psicologia, Psicanálise, Pedagogia, Biologia, Filosofia, Linguística,
Antropologia, Neurologia e tantos outros quantos se fizerem necessários para a
apreensão do fenômeno que se ocupa: o processo de aprendizagem na sua
singularidade, no contexto cultural e no âmbito dos fins e meios a que se
destina.
A
Psicopedagogia busca, então, compreender o ser em suas dificuldades e
limitações, efetuando um diagnóstico das dificuldades de aprendizagens, e
assim, proporcionando uma série de exercícios e atividades que lhe possibilitem
desenvolver-se em todas as suas potencialidades. Para Bossa (2008), a Psicopedagogia
está envolta por um diagnóstico e uma metodologia de intervenção que busca
olhar o indivíduo em sua relação com o objeto de conhecimento e sua
aprendizagem, e considera o sujeito e o objeto indissociáveis pois compreende o
sujeito em seu contexto sócio-histórico, acreditando em um conhecimento
transdisciplinar, mesmo sendo construído em um ambiente interdisciplinar.
REFERÊNCIAS
BOSSA,
Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática / 2.ed.
– Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
BOSSA,
Nadia A. A emergência da psicopedagogia como ciência / Rev. Psicopedagogia,
2008; 25(76):43-8. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v25n76/v25n76a06.pdf Acesso em: 10 mai.
2018.

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