Lateralidade é a capacidade motora de
percepção integrada de ambos os lados corporais, o direito e o esquerdo. Segundo
Cauduro (2002, p. 62), nos fala que “(psicomotricidade) emerge do papel da
lateralização funcional dos dois hemisférios cerebrais. ”
A lateralidade, está ligada ao
desenvolvimento corporal e cerebral. O lado predominante corporal se desenvolve
em função do hemisfério cerebral que irá predominar, o movimento de um dos
lados com destreza, irá determinar se a pessoa é “destra ou canhota”, ou ainda
“bilateral”, onde utiliza os dois lados com destreza. Toda atividade motora é
controlada por um hemisfério cerebral, considerado “dominante”. De acordo com
Cauduro (2002), o lado esquerdo do cérebro (hemisfério esquerdo), controla o
lado direito corporal, e o lado direito do cérebro (hemisfério direito),
controla o lado esquerdo corporal. “Dominância lateral é a expressão de uma
repartição das funções nos dois hemisférios cerebrais (se a pessoa é destra o
canhota), portanto é neurológica” (CAUDURO 2002, p.88)
Segundo Cauduro (2002, p. 62),
A laterização,
como resultado da integração bilateral postural do corpo, é peculiar no ser
humano e está implicitamente relacionada com a evolução e utilização dos
instrumentos (motricidade instrumental - psicomotricidade), isto é, com
integrações sensoriais complexas e com aquisições motoras unilaterais muito
especializadas, dinâmicas e de origem social.
Segundo Cauduro (2002), a lateralidade
começa a surgir no primeiro ano de vida do bebê, mas só se defini e estabiliza
aos 4-5 anos de idade, mas pode se protelar até os 9 anos de idade sendo
normal, muitas crianças passam pela ambilateralidade antes de obterem a sua
lateralização definida com direita ou esquerda. A autora ainda nos fala que:
No nascimento, os
dois hemisférios são equipotenciais funcionalmente (não-anatomicamente), como
provam os estudos de crianças com lesão no hemisfério esquerdo que,
posteriormente, desenvolvem a linguagem no direito, fenômeno este menos
observável num cérebro maduro (maturação). (CAUDURO 2002, p. 62)
Segundo Negrine
(1987, p. 32),
A lateralidade é uma variável do
comportamento psicomotor da criança que apresenta uma série de implicações de
ordem neurológica, biológica e pedagógica.
A lateralidade corporal se refere
ao espaço interno do indivíduo, capacitando-o a utilizar um lado do corpo com
maior desembaraço do que o outro, em atividades que requeiram habilidades,
caracterizando-se por uma assimetria funcional.
A lateralidade corporal deve ser
estudada e diagnosticada em relação ao corpo como um todo, quer dizer,
considerada quanto ao uso da mão, do pé e do olho.
Cauduro (2002, p. 89) vai nos falar que: “O
conhecimento “esquerda-direita” decorre da noção de direção. É a generalização
da percepção do eixo corporal a tudo que cerca a criança; esse conhecimento
será mais facilmente aprendido quanto mais homogênea for a lateralidade da
criança. ” a autora continua.
Com efeito se a criança percebe
que trabalha naturalmente “com aquela mão”, guardará sem dificuldades que
“aquela mão é a esquerda ou direita”. Caso haja hesitação na escolha da mão
(indefinição neurológica) a noção de esquerda-direita não poderá firmar-se com
segurança. Da mesma forma, em caso de lateralidade cruzada, a criança
confundirá facilmente os termos esquerda e direita, por ser ora mais forte o
lado direito (por exemplo, o pé), ora mais forte o lado esquerdo (a mão). (p.
89)
Cauduro (2002) nos dá algumas sugestões de
exercícios que podemos fazer para identificar a lateralidade do nosso aluno:
1. Pedimos, ao aluno, que
percorra um trajeto com um pé. O lado escolhido para o trajeto é, muitas vezes,
o lado dominante.
2. Convidamos o aluno para
chutar a bola. O pé escolhido para o chute é o dominante.
3. Solicitamos que o aluno
desenhe, com o pé, um quadrado ou círculo. O pé escolhido é o dominante.
4. Pedimos, ao aluno, que faça
diversos gestos do dia-a-dia e observamos qual será a mão mais utilizada.
5. Pedimos, ao aluno, para
lançar a bola dentro de uma caixa. A mão escolhida será, na maioria das vezes,
a dominante.
6. Solicitamos que o aluno espie
em um buraco feito de papel. O olho escolhido será o dominante.
7. Pedimos, ao aluno, para
apontar objetos na sala de aula ou numa exposição. A mão utilizada será a
dominante.
Aconselhamos que, antes de saber com certeza se o aluno (a)
está lateralizado (a), não devemos usar os dois lados do corpo e sim, deixar as
atividades livres para que ele escolha seu lado de preferência.
(CAUDURO 2002, p. 89)
Cauduro
(2002) ainda nos fala que, para que ocorra afirmação da dominância lateral por
parte da criança, é preciso que o próprio indivíduo perceba as direções que o
seu corpo toma, quando está desenvolvendo uma atividade. E nos avisa que não
podemos confundir a dominância lateral com o conhecimento dos termos “direita e
esquerda”.
A
lateralidade o elemento que está em relação e orientação com o
mundo externo e interno do indivíduo, onde Cauduro (2002, p. 88) nos afirma: “
a lateralidade está ligada ao espaço interno do indivíduo (relação espacial com
ele mesmo), a sua dominância lateral enquanto que, a direcionalidade está
ligada ao espaço externo que cerca o indivíduo. ”
Em resumo Cauduro (2002, p. 88) nos afirma que “A
lateralidade representa o predomínio normal de um lado do corpo. A lateralidade
é importante para a criança por construir a base da orientação espacial e de
coordenação geral. ”
Em relação a
lateralização dos indivíduos, podemos observar, três tipos de lateralidade:
·
Ambidestra
– é hábil dos dois lados, tanto o esquerdo quanto do direito.
·
Lateralidade
Homogênea – dominância canhota ou destra sobre o corpo, se sobressai, entre
os pés, mãos, olhos e ouvidos.
·
Lateralidade
Cruzada – quando a pessoa é canhota da mão, destra do pé, do ouvido e olho
= vice-versa.
Problemas de lateralidade e
aprendizagem, resultam em três disfunções: Dislexia, Distorgrafia,
Discalculia. Vamos explicar cada uma desses problemas de aprendizagens:
- Dislexia: segundo o DSM-V (2014, p. 67), é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia.
- Disortografia: segundo o DSM-V (2014, p. 67) Com prejuízo na expressão escrita: Precisão na ortografia / Precisão na gramática e na pontuação / Clareza ou organização da expressão escrita.
- Discalculia: segundo o DSM-V (2014, p. 67), é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes.
REFERÊNCIAS
CAUDURO,
Maria Teresa. Motor... motricidade... psicomotricidade... como entender? / Novo
Hamburgo : Feevale, 2002
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico]: DSM-5 [American Psychiatric Association; tradução: Maria Inês Correa
Nascimento... et. Al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli. 5 ed.-
Porto Alegre : Artmed. 2014. Disponível em: https://aempreendedora.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Manual-Diagn%C3%B3stico-e-Estat%C3%ADstico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5.pdf Acesso em: 04 de nov. 2018.
NEGRINI,
Airton. A coordenação psicomotora e suas implicações. Porto Alegre, 1987

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